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#Freesnob

Friday, March 23rd, 2012

Lembra quando palavras  como “blogosfera” foram inventadas  pra tentar descrever o fenômeno da expansão dos blogs? E quando foi a  primeira vez que você teve impressão que até sua sobrinha de seis anos já tinha blog  de beleza?  Eu lembro. E lembro também quando alguém disse que isso era ruim, todas nós compramos  e começou uma onda de ódio.

Tudo que era relacionado aos  clichês de blog de beleza virou brega,  atestado de burrice, de falta de originalidade, de falta de bom senso estético e, principalmente, virou exposição pra  que te ridicularizassem forte.

Antes, tirar foto de Snob era sinônimo da riqueza. Depois, orkutizou. Quem usa é  póbrinha, é  cafona.  E  pelo jeito, existe algum estatuto perdido por aí que diz que quem orkutiza e é cafona tem obrigação de aceitar ridicularização pesada e de cunho pessoal.

O fato é que tem blogueira que virou celeb mesmo, sabe? Afinal, ser celebridade, ser uma pessoa celebrada, não é quando você é conhecida por algo de ponta a ponta e inspira tanto as pessoas com seu trabalho que elas querem saber da sua vida pessoal? O problema é até onde podemos perseguir essas celebs.  Eu acho que um blog que se propõe a fazer críticas construtivas e semear o bem na blogosfera através de fiscalização intensa do conteúdo alheio pode até  ser uma boa ideia. Em épocas de jabás mal explicados e publis mal  sinalizados, acho que faz sentido sim.

Mas e quando acham que crítica profissional a blogueira é  falar mal do marido? Falar quem traiu com o vizinho? Falar que o bicão de Snob dela é coisa de pobre xexelenta? Falar que ela é vagabuda porque usa a saia menor ou a boca mais marcada?

Isso, gente, isso não pode. Porque isso é confundir alhos com bugalhos. Dúvido aqui que alguém ache que a sogra tem direito de se meter, opinar ou palpitar sobre a sua vida pessoal, certo? Então porque você, amiga dona de casa, que nem conhece a blogueira fulaninha tem esse direito de falar  da vida dela?

Eu pensei muito e acho que a única coisa que faz alguém achar que tem direito de se incomodar com o quanto a ciclana pagou na sua bolsa Prada é a incompreensão. Porque assim, eu acho que eu que devo me entender com meu gerente do banco pra pagar minhas contas, mas tem gente que não compreende esse conceito e acha que pode se meter na vida alheia fortemente. Principalmente pra dar conselhos tão construtivos pra auto estima alheia como “Gasta tanto em sapato e sai com essa pele toda cágada, misericórdia’.

Amiga, blogueira é gente e tem coraçãozinho. E se você tá super inspirada a falar algo da pele/cabelo/bom gosto/vida sexual/vida afetiva/obesidade da mãezinha de alguém, aplique a seguinte regra:

COMO VOCÊ  AGIRIA SE ESTIVESSE NAVEGANDO NA INTERNET E VISSE ESSA CRÍTICA À SUA PESSOA?

Eu sei, amiga, eu sei, falar mal dos outros é uma tentação absurda. Mas para pra pensar, quanta gente você já pode ter magoado com isso. Até porque entre “pensar mal” > “fofoquinha com  as amigas” > “comentários odiosos em blogs de gente que eu nem conheço”  tem um gap enooooorme.

Aí tem as que defendem “mas a blogueira se expõe”. Querida, anota essa:  TODO MUNDO NESSE FUCKING WORLD SE EXPÕE. A única coisa que muda é a quantidade de pessoas e universo em que você faz isso. 

Se a blogueira se expõe todos os dias pra, digamos, 10 mil pessoas que acessam suas páginas, uma contadora se expõe  todos os dias pra uns dez clientes. Uma dentista pra uns dez pacientes. Isso dá  o direito dessas pessoas que consomem o serviço delas falarem mal delas? Não, mas pode acontecer. Agora, isso dá o direito dessas pessoas falarem mal delas em um lugar público com acesso irrestrito? Não, não mesmo.

Para pra pensar amiga: se seus clientes ou fornecedores ou pacientes ou alunos fizessem um site só pra falar como você se veste mal, como você se acha, como você é brega ou o escândalo que foi a separação do seu marido…  Seria confortável?

Então, o que eles  deveriam fazer se sentem-se tão mal com a sua pessoa? Eu respondo essa: parar de frequentar seu estabelecimento. Logo, quem tá muito, muito infeliz com o estilo de uma blogueira, eu aviso que só tem um remédio: fechar a janela e ir ler um livro.

Digo isso porque tem leitoras que acham que vão ser as salvadoras da pátria se zoarem tão fortemente um blog que as agências parem de patrocinar ele. Amiga, deixa eu te contar: as agências querem números. E cada vez que você acessa um blogzinho pra odiá-lo, você tá botando mais um numerozinho na caixinha.

Quando a gente não gosta de MacDonald’s e acha que aquele preço de sanduíche é ultrajante, a gente para de comer lá ou fica comendo e gritando o quanto é ruim? Quando a gente  acha que a Rede Globo é ruim, divulga boicote no Facebook ou fica assistindo enquanto grita na janela que BBB é uma merda? Quem é que tá fazendo a louca então?

Amiga,  então por que quando você  acha um blog  ruim continua acessando? Gerando pageview? Daí você vai lá, passa raiva porque odeia aquela colega, se sente tão agredida de ver essa coisa terrível que vomita um monte de coisas ruins, feias em cima de um blog dedicado ao ódio por ela.

Ela não te pediu pra acessar,  florzinha.  Você foi lá sozinha, se sentiu agredida por uma atitude sua e atirou seu ódio rumo a outra pessoa que nem te conhece. Por algo que ninguém no universo te obrigou a fazer. E você acha que tem direito de fazer isso por quê?

Então querida, anota: blogueira é gente, gente de corpo, alma e coração. A gente é assim, sensível demais.

Então hoje, pra refletir sobre esses mexericos, essa palpitação toda e defender o direito de cada lynda desse meu Brasilzão blogueiro de usar a cor que quiser na roupa ou make que quiser faznedo a pose que quiser,  vamos ao extremo:

 

#FreeSnob!

Estamos voltando as origens dos blogs de belza e trocando nossos avatares por bicões bem lambuzadinhos de Snob  -  o cúmulo da agressão visual pras fiscais blogueiras. E a gente tá fazendo isso pra fazer só um questionamento: em que meu bico te feriu? Em que meu Snob te feriu? E por que ele te daria o direito de falar coisas duras sobre mim em lugares públicos sem me conhecer.

É só pra pensar gente: às vezes a gente tá tão acostumada a fazer o mal que nem nota o tamanho do que tá fazendo. Dúvida? Passa seu Snob, faz bico pro espelho e se questiona se você  tá machucando alguém com isso pra verificar, então…