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#Comofas: então você quer fazer uma tatuagem?

Tuesday, August 9th, 2011

Raquel Zasso me tatuando

Eu lembro da primeira vez que falei pros meus pais que ia fazer uma tatuagem. Basicamente eles fingiram que não ouviram. Então eu repeti por 30 dias, todo almoço. E eles fingiram que não ouviram por 30 dias. Daí quando eu apareci tatuada, ouvi “Mas por que você não contou pra gente?” – lógica paterna, essa maravilha.

Quem ouve essa história acha que eu fiz um dragão chinês em chamas, coberto de caveiras feito em scarnification – mas são 5 florzinhas nas costas mesmo. Um ano depois voltei pra agulha pra fazer duas lótus no ombro. Coisa meiga, né? Mas exige uma força de macho pra ser feita. E eu repetiria mais mil vezes se possível – ainda viro um gibi, aguardem!

Acontece que toda vez que eu apareço em algum encontrinho rola a mesma pergunta: Deeebs, deixa eu ver sua tatuagem??? E eu mostro toda orgulhosa. Aí vem a sabatina “dói muito?”, “você faria outra?”, “quanto tempo pra cicatrizar”? Então pra acabar com as dúvidas e transformar vocês em projetos de rebeldes sem causa como eu (até parece), vem aí um super guia das tatuzudas pra vocês:

 

1 – Dói muito?

Olha, gente, dói pra caramba. A agulha tem que inserir tinta por dentro das suas camadas de pele – ou seja, é quase um cortezinho. E não é só uma agulha não: o contorno da minha última, por exemplo, foi feito com duas agulhas. E a coloração com seis. Seis mini agulhas perfurando sua pele com tinta enquanto uma máquina zumbe no seu ouvido. Isso durante o tempo da tatuagem (as minhas lótus demoraram 2h30min) porque depois ainda tem a fase da cicatrização: uns dois dias que dói como se você tivesse sido espancada ali e mais uma semana de coceira. Ah, pense no banho quente sobre essa delícia.

Mas sem drama: não, não é insuportável. Se você já tombou dedinho na quina do sofá, já caiu de bicicleta e já tirou dente na vida e sobreviveu a tudo isso, larga de frescura e vai logo se pintar. Pensa que a dor pode ser desgracilda, mas ela dura o tempo de tatuagem + cicatrização e só. Depois, o desenho que você escolheu fica ali em você a vida todinha – e dá um orgulho que vocês não imaginam!

Ainda não se convenceu? Então meu argumento final:

Se o Justin Bieber, aquele cara que canta “Baby, baby, baby ôoo” aguentou a dor de fazer uma tatuagem é porque não é tão ruim assim, concorda?

2 – Quais são os cuidados posteriores?

A tatuagem é um machucadinho na sua pele e ele tem que cicatrizar. Mas ao mesmo tempo você não quer que ele cicatrize expulsando a tinta e estragando a arte (lembre-se que a tinta é um corpo estranho). Então os cuidados são quase os de um machucado mas com detalhes especiais.

Em suma, você vai usar uma pomadinha especial, higienizar só com água fria nos primeiros dias, proteger das bactérias e microorganismos no ar, parar de comer gordura e não tomar sol. A parte da higiene é simples: banho com sabonete anti bactericida e só com água fria por pelo menos uns cinco dias. Proteger também: curativo com plástico (sim, sim o Magipack) e micropore sobre ela por uns três dias no máximo.

Cortar a gordura de porco, o chocolate e todas essas porcarias que só atrapalham nosso organismo é triste mas é saudável mesmo – e você ainda perde uns quilinhos. E o que é um mês sem sol na nossa vida, né? Passa voando!

Agora na hora da pomadinha que aparece a maior dúvida. Isso porque o Bepantol, que inclusive eu usei na minha primeira tattoo, mudou de fórmula. E o pior é que já existem casos de alergia a fórmula nova quando utilizada pra cicatrizar tatuagem. Eu não sei vocês, mas eu não quero desenvolver uma alergia sobre um tecido que acabou de ser cortado e injetado tinta.

No estúdio de tatuagem que eu fiz minha última arte (o Samme Tattoo) tinha uma pomadinha dos deuses pra cicatrização: a Aftercare da Electric Ink. Ela custou apenas R$ 20 e rendeu direitinho. Além disso ela tem analgésico e é canforada – o que é uma benção em um machucado quente. Na época da cicatrização eu tinha vontade de dormir num pote disso só pra não sentir mais dor, uma mágica.

É claro que você ainda pode optar pelo Bepantriz, por exemplo, que é uma pomada com a mesma fórmula da antiga Bepantol. Eu não recomendo: cicatrizei uma com ela e outra com a pomada analgésica e a segunda opção não só alivia a dor e cicatriza mais rápido como também sai mais em conta – na outra tattoo eu usei três tubos de Bepantriz pra vocês terem ideia.

 

3 – Como é o processo de cicatrização?

Nos primeiros três a cinco dias você fica com o local tatuado inchado e bem dolorido. Não pode dormir sobre, não pode derramar água quente… é um saquinho. A única coisa que alivia a dor (além da pomada mágica) é um saquinho de gelo bem protegido sobre a área tatuada.

Minha primeira tatuagem logo após ser feita

Durante esses três dias, o desenho solta uma gosminha com sobra de tinta (Eca!) que você tira no banho. Depois desses três dias, a tattoo forma uma casquinha bem fininha e ela vai engrossando na próxima semana – é quase igual quando você toma sol sem protetor (coisa que você não devia fazer). Aí essa casquinha cai e sua tatuagem tá lindona ali embaixo.

Um fato importante sobre essa casquinha é que você não pode nunca, nunca, nunca cutucá-la ou sua tattoo pode ficar manchada com pontos com menos tinta. Deixa que seu corpo cicatriza sozinho, bonita. Ah, outra coisa: mantenha essa casquinha hidratada sempre!

4 – Como decidir um desenho?

Enfim, chegamos a uma parte que não posso te ajudar muito, né? Afinal, quer coisa mais pessoal na vida do que uma tatuagem? Eu por exemplo só faço com significados. Já uma amiga minha diz que acha que tatuagem com significado é a coisa mais brega do universo…

O primeiro passo mesmo pra decidir um desenho, na minha opnião, é escolher o estilo. Existem diversos estilos de tatuagem e cada tatuador é especialista em um ou alguns deles. Definir isso facilita até a escolha do tatuador, que é o próximo tópico.

Realista da Megan Fox, Old School da Amy Winehouse, New School da Britney Spears e Maori do Robbie Willians

O que eu recomendo é: tatuagem não é coisa pra fazer na louca. Escolhe bem o desenho, pensa bem como ele vai ficar onde você quer fazer, reflita se você se sente confortável com isso. Uma dica do meu bofe: ele só faz a tatuagem depois de gostar dela por um ano. Assim, não há o risco de ter uma ideia genial, tatuar e nem gostar mais uma semana depois.

O legal é que o tatuador costuma mostrar uma prévia do desenho antes de te riscar toda (meus dois fizeram isso). E nessa hora você tem que dar pitaco mesmo: não gostou da cor, do traço, do estilo… reclama! Afinal é você que vai ficar com aquilo pra sempre e não o desenhista.

5 – Como saber se o tatuador é de confiança?

A melhor coisa é pegar uma dica com alguém que já tenha tatuado. Eu recomendo o Samme Tattoo e a Raquel Zasso, ambos daqui de Curitiba, de olhos fechados, por exemplo.

Mas caso seus amigos sejam certinhos demais pra isso,você pode pesquisar no Google os tatuadores da sua cidade e visitar a loja deles. Verifica se tudo é limpinho e seguro, dá uma olhada no catálogo do tatuador e vê se os trabalhos anteriores tem a ver com você e só aí agenda sua tatuagem.

É preciso confiar no cara que vai desenhar no seu corpo, sabe? E isso vai além do preço que você paga porque, como eu já disse, é você que fica com a tatuagem no corpo pro resto da vida. Às vezes esperar um pouco mais por um tatuador com a agenda lotada ou economizar pra fazer com quem cobra mais caro faz toda a diferença…

E então, meninas, vocês tem mais alguma dúvida sobre tatuagens? Eu imagino que sejam muuuitas! Então podem pedir aí na caixa de comentários!